terça-feira, 11 de fevereiro de 2014



Uma historia de amor e superação 



Só mesmo um amor puro e verdadeiro é capaz de explicar a força, a superação e a alegria de Felipe Mishima Faleiros, de 14 anos. Durante o parto, a falta de oxigênio causou uma paralisia motora. No entanto, percepção, memória e raciocínio não foram afetados. "Ele não consegue andar, mas vai à escola, lê, faz contas, entende tudo normalmente. Está na oitava série, igual a qualquer criança na idade dele", afirma Flávia Cristiane Mishima Faleiros, de 37 anos, mãe de Felipe.
 
Apaixonado por futebol e atleticano doente, Felipe sentia falta de jogarbola com os amigos. O que parecia algo impossível se transformou em realidade depois de um sonho do pai. Afinal, para o amor não existe barreiras. Alexandro Faleiros, de 37 anos, mandou fazer uma bota especial, para que ele e o filho virassem um só jogador.

O advogado explica que tudo começou porque Felipe quis. "Eu amarravafaixas para unir as nossas pernas e podermos jogar futebol, mas não dava muito certo. Deus me deu a bota de presente". Alexandro conta que brincou três vezes com a bota e que Felipe não quis mais usá-la. "Ele sempre faz o que quer. Procuramos trata-lo como uma criança normal, todos os pais deveriam fazer isso. Damos dura, castigo e ele tem que cumprir todos os seus deveres".

Alexandro jogou futebol amador por 10 anos, e o filho o acompanhava em todos os campos de várzea. Quando Felipe mudou de escola, ele quis participar das aulas de futsal e disse ao pai que era necessário pagar R$ 50. Alexandro disse que pagaria o valor. "Naquele momento, percebi que ele queria apenas ver as aulas e, como estava pagando, ninguém teria o direito de perguntar o que ele estava fazendo ali".

Foi então que Alexandro lembrou ao filho da bota. "A resposta dele foi imediata, com o brilho nos olhos: eu topo o desafio". Esse foi o pontapé para as aulas de futsal que acontecem toda segunda e quarta, desde 2010. O pai sai correndo do escritório e vai jogar bola com o filho. 

Para dar conta do recado, ele conta com a ajuda da filha Clara. Com apenas 10 anos, Clarinha é a guardiã do irmão. Adora andar com ele e, também, levá-lo aos lugares que gosta. "Jogo futebol, nado e vou ao parque. Fazemos tudo juntos. Ele é um presente de Deus para mim.", afirma, abraçando o irmão. Os pais ficam encantados com a união entre eles. "É um companheirismo inacreditável".

Outra aliada de Alexandro e Flávia nessa luta é Marinete Santos, de 36 anos. No dia a dia, ela é as pernas e os braços de Felipe. Ela cuida dele há nove anos, leva para a escola, fisioterapia e todos os demais compromissos. A relação entre eles é de muito carinho, e Marinete o tem como um filho. "Tudo que eu falo para minha filha de 15 anos, eu falo para ele. E fico muito feliz por eles serem amigos." Marinete admira o carinho de Alexandro pelo filho. "É algo incrível. E só mesmo o amor explica isso, um amor 100% verdadeiro".

Dona Hortênica Faleiros, de 59 anos, sempre que pode, faz questão de acompanhar os jogos do neto. "É inexplicável a emoção de ver a superação dos dois". A mãe de Alexandro conta que, desde o nascimento de Felipe, o filho nunca aceitou um não. "Ele sempre bateu de frente, sempre lutou e acredita em dias melhores. É uma luta dele, que sonha e realiza."

O futebol é a grande alegria na vida de Felipe, e ele deve cada sorriso ao esforço do pai. Juntos, já viveram momentos emocionantes, como o dia em que foram a um jogo do Atlético e ouviram o Independência em peso gritar o nome de Felipe. "O Galo dá voz ao Felipe e, na medida do possível, o ajuda muito. Eles abraçaram a causa". Jogar bola com os ídolos também ficará para sempre na memória desse pequeno herói.

O jeito de se expressar, de encarar as dificuldades, vivenciando cada momento com garra e disposição, sempre feliz e de bem com a vida alimenta a esperança dos pais do garoto. "É indescritível a sensação de que meu filho está andando. Eu sinto o movimento dele e o acompanho". 

O maior sonho de Alexandro e Flávia é ver o filho andar e ter um pouco de independência. "Eu só ajudo. Sei da minha importância, eu luto, eu brigo pelos direitos dele. Acredito que um dia ele vai andar, e que outras crianças também podem chegar a esse ponto", afirma o pai. A voz que faltava era a do Felipe, e ele tem muita força
, é inteligente e tem uma luz própria, capaz de iluminar todo o mundo. Cada drible, cada toque na bola é uma vitória.

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